quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM MUNDO À pARTE NA ESCOLA DE TODOS OS DIAS

Era uma rapariga como outra qualquer, a Maria, mas parecia que vivia num mundo à parte.

Para aquela professora inexperiente, a Maria era preguiçosa. Não vinha à escola, faltava muito, não tinha o material escolar cuidado e era um caso sério manter a atenção presa daquela menina. No entanto, quando vinha, apresentava-se razoavelmente cuidada e sem sinais de descuido familiar. Sem saber bem o que fazer Rosa, a professora nova, foi falar com a diretora de turma que lhe mostrou a “fotografia social” da família. A menina era então uma, entre uma prol de mais cinco irmãos. Todos com bastante insucesso escolar e consequente insucesso educativo. A escola conhecia este processo familiar desde há onze anos. A mãe mostrara-se desde sempre incapaz de lidar, de forma assertiva, com o facto de ter de assumir, a maior parte do tempo sozinha, com as responsabilidades inerentes à parentalidade. O pai, detido ao longo destes onze anos, a maior parte do tempo, quando saiu, exigiu desta mulher a fidelidade objectiva. Porém, esta mãe que mal sabe cuidar de si, para quem as contrariedades ou dificuldades do quotidiano são uma inevitabilidade e não, obstáculos para ultrapassar com espírito de sacrifício, arranjou um companheiro para a ajudar a passar com menos agrura, o tempo que o pai dos filhos ía estar fora de casa. Mas até nessa escolha, não houve muito esforço: foi mesmo um que estava à mão, dois andares abaixo no mesmo prédio. Claro que o progenitor da prole, quando regressou não gostou de ver os seus “pertences” fora do sítio do costume e, além do arraial de porrada da praxe, deixou esta mulher sozinha.

Este agregado tem todas as características que normalmente marcam a pobreza. É beneficiário de RSI, os menores estiveram institucionalizados, por negligência (por pouco tempo, pois sempre arranjavam maneira de fugir), não sem antes passarem por medidas de protecção em contexto de vida familiar, que foram sendo sempre incumpridas. Uma das menores foi mãe enquanto adolescente e um dos menores mais velho foi sinalizado por actos de pré-delinquência. Nenhum completou a escolaridade obrigatória, apesar de terem frequentado cursos profissionalizantes como recurso, pelo sistema de aprendizagem. A Maria é a última da escala.

Rosa, com os olhos muito esbugalhados de incompreensão e de espanto fez a pergunta que se impunha: e então o que fazemos? Quem? Nós, a escola? Perguntou a diretora de turma. Nada! Respondeu de imediato a si própria e à Rosa. Nós não podemos fazer nada.

A escola já tinha feito tudo. Tinha alertado, tinha dado oportunidades às crianças para concluírem a escolaridade obrigatória. Tinha tentado vezes sem fim, por todos os meios mas sem sucesso, contactar com a mãe. Tinha reunido com a equipa social de acompanhamento das medidas de protecção que faz a ponte entre a família e o tribunal, tinha em suma, tomado conta. Mas a escola não faz leis, porque se fizesse…

a) Criava a figura de mãe substituta para colocar na casa dos menores e ensiná-los as regras básicas de higiene e sociais bem como de urbanidade. Não castigava as crianças, retirando-as à mãe e ao seu ambiente de referência, de rede de amigos, ou de escola, para as institucionalizar; nem tão pouco insistia em deixá-las aos cuidados de uma mãe que comprovada e repetidamente não deu provas de capacidade.

b) Criava um centro de promoção de competências parentais. Retirava a mãe às crianças e inseria-a num destes centros onde aprendesse a cuidar de uma casa, a preparar refeições com poucos recursos; a gerir um pequeno orçamento doméstico; a ter horas para levantar e a reeducar o seu sentido de prioridades e consequentemente responsabilidades;

As crianças não cumprem com o que se comprometem com o Tribunal ou com a CPCJ porque são crianças e porque têm que usar os seus recursos intelectuais para lidar com os desafios da sobrevivência.

Sobre este assunto, a directora de turma suspirou e terminou a sua reunião com a Rosa, agora não só de olhos esbugalhados mas também tristes dizendo: é caso para terminar com: “… mas as crianças, senhor! Porque lhes dais tanta dor?...”



Celestina Silva
escrito em 31 janeiro 2011

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ANO LECTIVO 2010/11



Mais um ano lectivo que começa e mais uma vez uma esperança renovada na capacidade que temos para "moldar"/formar bem os nossos alunos. Da esquerda para a direita vemos o T2-Comércio e o T3-Comércio que iniciaram este ano lectivo. Também temos um T2-Operador de Informática, de quem oportunamente disponibilizaremos imagem.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Epílogo do capítulo 2009/2010

Mais um ano lectivo que termina!

A sensação das equipas pedagógicas dos cursos CEf e EFA, das Novas Oportunidades, é de missão cumprida.

Dos 3 cursos de Educação Formação de Jovens, chegaram ao destino vinte e cinco alunos que foram certificados com o 9º ano de escolaridade. Destes, quinze, sairam com dupla certificação: escolar e profissionalizante.
Claro que, no cais de partida há dois anos trás, estavam 35 alunos. Dez ficaram pelo caminho, tendo saído por vários motivos: mudança de curso, indisciplina; abandono puro. Mas a Escola não consegue nunca sucessos de 100%, porque lida com seres humanos e cada ser é um mundo complexo e dinâmico.
Mesmo assim, 25 alunos a completarem o 9º ano dos quais 15 com dupla certificação, constitui, com certeza, um motivo de celebrar sucesso dentro de um TEIP.

Por outro lado, no caso dos adultos, os dados são os seguintes:

Dos 15 formandos do B3 iniciado em Setembro de 2008, terminaram 11 no final de Outubro de 2009.
Dos 12 formandos inscritos no B3 iniciado em Fevereiro, concluíram formação 8 em Fevereiro 2010.
Dos 14 formandos inscritos na turma do Secundário escolar iniciada em fins de Janeiro de 2009, terminaram 10 em Abril 2010.
Dos 8 formandos inscritos no B2 concluíram 7 em Junho 2010
Certificamos portanto, durante este ano lectivo, 36 formandos e continuam em formação neste momento, 15 em B3 e 16 em Secundário Escolar turma 2, num total de trinta e um formandos.

Parabéns às equipas pedagógicas, aos formandos e votos de boas férias merecidas para todos!